História

A USINA HIDRELÉTRICA DE ITAPARICA
 

A Usina Hidrelétrica de Itaparica, batizada de Usina Luiz Gonzaga, em homenagem ao grande compositor nordestino, surgiu de um programa de desenvolvimento do governo brasileiro para a região Nordeste, nos anos 70.

A construção da usina serviu como suporte para viabilizar o crescimento desta região, castigada pelas secas prolongadas, pela dificuldade de tratamento do solo e desenvolvimento da agricultura.

Aproveitando as potencialidades do rio São Francisco, o local escolhido foi a cachoeira de Itaparica localizada entre as cidades de Petrolândia e Gloria na Bahia. Nesta área já existia a usina velha, que não mais atendia as necessidades de abastecimento de energia elétrica da região.

A construção da barragem teve inicio em 1979 e durou 9 anos até o enchimento do lago e operação da usina em 1988.

O seu reservatório ocupa uma área de 834Km e se estende da cidade de Petrolândia até Belém do São Francisco, abrangendo ainda os municípios de Itacuruba, Floresta em Pernambuco, Glória, Rodelas, Chorrochó na Bahia.

Para a construção desse reservatório, foram inundadas as cidades de Petrolândia, Itacuruba, Rodelas e o povoado de Barra do Tarrachil.

Foram construídas então, as novas sedes municipais destas cidades.

Estes acontecimentos tiveram grande repercussão entre as comunidades atingidas e provocaram manifestações de revolta. Organizados em sindicatos, essas populações mobilizaram-se e negociaram junto a CHESF garantias de melhores condições de vida, sistema de transporte, moradia, saúde, educação e área de produção.

 

 

O RIO SÃO FRANCISCO
 

O Rio São Francisco aparece nos mapas pela primeira vez em 1502. Tem esse nome porque foi descoberto a 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis. Considerado o Rio da Unidade Nacional, é conhecido como o Velho Chico, maior rio totalmente brasileiro que liga duas importantes regiões, a Sudeste e a Nordeste. O Rio São Francisco nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais, corta os estados da Bahia e Pernambuco, e deságua no Oceano Atlântico entre Alagoas e Sergipe. No século XIX, D. Pedro II, imperador do Brasil, após visitar o Baixo São Francisco e conhecer a Cachoeira Paulo Afonso, mandou levantar dados sobre o Rio São Francisco para a utilização de suas águas, pois desde dessa época que o fenômeno da seca assolava o Sertão e uma das saídas para o enfrentamento da situação era o aproveitamento do rio. Em 1910 o industrial alagoano Delmiro Gouveia construiu a fábrica de linhas da Pedra, usando a energia gerada pelo rio para o funcionamento das máquinas. Por isso o São Francisco revelou-se importante elemento geográfico e econômico para o Nordeste do Brasil.

Entretanto, estudos históricos e pesquisas arqueológicas realizadas e financiadas pela CHESF, antes do enchimento do reservatório, mostraram que a região é muito antiga.

Foram encontradas pinturas rupestres na Caverna do Padre, cemitérios indígenas com urnas funerárias usadas para enterrar os mortos, cachimbos e vasilhas de barro fabricadas pelas populações antigas denominadas de páleo-índios.

Nas cidades de Petrolândia e Itacuruba, inundadas pela Hidrelétrica de Itaparica, foram encontradas ruínas de uma das primeiras igrejas construídas pelos missionários religiosos chegados ao São Francisco, no século XVII, para evangelizar os índios. Primeiro chegaram os jesuítas, depois os franciscanos, em seguida os capuchinhos italianos e franceses e os carmelitas. Nesta região, os missionários encontraram grupos indígena vivendo de forma sedentária, fixados a terra, dedicados à agricultura e a produção de cerâmica. O mesmo ocorreu em Rodelas – BA e Itacuruba – PE, povoadas por tribos indígenas da nação kariri, que foram deslocadas de suas terras e obrigadas a viverem nas missões. Desses grupos indígenas, sobreviveram os Pankararu e os Tuxá, estes últimos vivam na Ilha da Viúva e Sorobabel, onde segundo a lenda estão os seus ancestrais.

Pouco a pouco a região foi sendo povoada com a chegada dos criadores de gado vindos do litoral, trazendo os negros para trabalharem nas fazendas instaladas no Sertão de Pernambuco e da Bahia.

A mistura de raças entre índios, brancos e negros fez surgir o conjunto de manifestações culturais característicos da região do São Francisco que foi mantido ao longo do tempo. Um exemplo disso é a dança de São Gonçalo, festa religiosa e profana dedicada a São Gonçalo do Amarante em pagamento de uma promessa ao santo. Algumas práticas de flagelação entre grupos de homens negros denominados de “Penitentes”, são encontrados na cidade de Itacuruba, durante a semana santa, bem como procissões dedicadas aos santos padroeiros de Petrolândia, São Francisco de Assis, de Itacuruba, Nossa Senhora do Ó, de Tacaratu, Nossa Senhora da Saúde. O São João permanece como uma das festas mais tradicionais do calendário folclórico nordestino. Entre índios, a dança do Toré e do Praia fez parte das cerimônias religiosas que reafirmaram a identidade indígena no Nordeste.

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